Sabemos que o caminho é estreito (Mateus 7.13), que devemos morrer para viver (2 Coríntios 4.10), perder para ganhar (Mateus 16.25), mas ao mesmo tempo, precisamos entender o que significa: “Vinde a mim todos os que estais cansados, aflitos, tristes e oprimidos pelo peso do vosso fardo e vos darei descanso”, propondo uma chance de mudar sua maneira de trabalhar, para que recompor nossas forças e sermos reanimados para continuar a servir dentro de uma nova mentalidade ministerial.
Começando pelo “Tomar sobre nós o seu jugo”, encontramos uma peça de madeira que se prendia com correias ao pescoço de animais de carga, para que assim pudessem puxar uma carroça ou arado, uma figura que pode ser relacionada ao “tome a sua cruz e siga-me” (Lucas 14), representando tomar sobre nós o seu testemunho, nosso chamado e missão, para que em obediência incondicional o sigamos (Em Filipenses 4.3 Paulo chama a Sízigo de fiel companheiro de Jugo, como homens ligados e unidos pelo ofício e ministério).
“Aprendei de mim”, avaliem, olhem atentamente para mim e aprendam pela prática como cumprir sua vocação, aprendendo a andar com “Mansidão”. Se quisermos cumprir nosso chamado, devemos aprender a aceitar aquilo que nos é proposto sem resistência, movimentos bruscos e instintivos como de selvagens indomáveis que não aceitam o que está sendo colocado sobre eles.
Esse espírito manso e humilde fala da disposição íntima e pessoal com a qual aceitamos sua forma de lidar conosco, entendendo como sendo a melhor, sem disputar, sem resisti-lo, confiando inteiramente Nele, mais do que em nossas próprias forças e instinto de defesa e auto-preservação. Se queremos experimentar uma nova mentalidade ministerial, onde se serve com responsabilidade sem peso opressor, devemos nos tornar aptos para viver essa “Mansidão”.
Porém, conhecendo nossa natureza altiva e independente, é provável que Deus tenha que usar da força para nos tornar mansos (Em sentido figurado como se amansa um resistente animal selvagem), usar sua autoridade Paterna para que pela experimentação, correção e ensino, sejamos refreados em nossos impulsos, tornando-nos obedientes em um novo nível de entrega e confiança pacífica.
Por isso passamos por situações que revelam tudo o que não queríamos ver em nós mesmos, encorajando-nos a buscar um caráter ensinável e a conhecer o Deus Pai que investe todo o tempo em nosso crescimento.
Em Mateus 5.5 ao contrário do que pensamos, talvez por causa das nossas traduções, Jesus diz aos homens simples que estavam a sua volta: Em marcha! Avante os Mansos que em humildade Herdarão a terra (Salmo 37.11), que se tornarão participantes por direito, manifestando sobre a Terra o Reino de justiça e paz. Pois dos humildes e pobres de espírito é o Reino dos Céus, opondo-se a glória fugaz dos impérios do mundo, aqueles que pela consciência pacificada, herdam a graça de Deus, a autoridade de Cristo, o sopro de vida e as evidencias do fruto do Espírito.
Buscai o Senhor, vós todos os mansos da terra, que cumpris o seu juízo; buscai a justiça, buscai a mansidão; porventura, lograreis esconder-vos no dia da ira do Senhor. Sofonias 2.3
Quando Jesus diz Manso e Humilde acreditamos estar falando de níveis de humildade, primeiramente de uma humildade expressa na entrega pacifica e depois na humildade revelada na convicção e persistência do nosso posicionamento.
Esse termo “Humildes” aparece literalmente no sentido daqueles que não se levantam do chão, em posição de humilhação, como em uma condição de rebaixar-se, descer um degrau. O que isso significa? Filipenses 2.5 fala que Cristo sendo Deus resolveu esvaziar-se e a si mesmo se humilhou, ou seja, ele não foi humilhado, mas escolheu se humilhar tornando-se obediente até a morte, e a morte de cruz, e a partir disso Deus o Exaltou dando-lhe o nome de Senhor acima de todo nome.
Esse segundo nível de humildade não fala apenas de aceitarmos passivamente algumas situações em que somos humilhados, mas fala de escolhermos nos humilhar sujeitando-nos a poderosa mão de Deus para que o momento determinado sejamos exaltados Nele, por Ele e para Ele (1 Pedro 5.6). O entendimento dessa mansidão e humildade aquietará nosso coração e mesmo que o mundo desabe, encontraremos descanso Nele para vossas almas.
Por fim, lembremos que seu jugo é suave, que na versão Espanhola Reina Valera, aparece como “fácil de levar” e no original grego como “útil e próprio para uso no sentido de ser bom, agradável e virtuoso no sentido de eficácia em atingir objetivos e sua finalidade”. Primeiro observamos com que disposição de coração devemos aceitar o jugo, depois vemos que seu fardo, a carga colocada sobre o Julgo, é leve (Mateus 11.30). O que Ele pode estar querendo nos dizer com isso?
Paralelo entre duas Mentalidades
A princípio está sendo estabelecido um paralelo entre a mentalidade religiosa e a mentalidade da graça, convidando-nos a trocar de julgo, a deixarmos o ministério da letra morta (2 Coríntios 3.6), para olharmos pra dentro de nós mesmos e sermos imitadores de Deus como filhos amados, andando em amor como Cristo andou (Efésios 5.1).
Esse paralelo é interessante porque para os judeus fariseus (Não generalizando lembrando existir bons fariseus, incluindo Jesus, apesar dele não ser partidário) o Messias não vinha por causa dos adúlteros, prostitutas e dos pecadores, assumindo uma postura religiosa rígida, carregada de moralismo colocando fardos (cargas – ordenanças humanas sem valor nenhum contra a natureza do pecado) difíceis de carregar sobre os ombros, porém eles mesmos como ministros não conseguiam e não tinham disposição em carregar (Mateus 23.4).
Nesse contexto de jugo pesado, Jesus diz mais uma vez: Que o maior dentre vós seja vosso servo, pois quem a si mesmo se exaltar será humilhado e quem se humilhar será exaltado (Mateus 23.11), comparando os homens que servem no ministério da lei com uma mentalidade religiosa a sepulcros caiados, formosos e admiráveis por fora, mas podres pela iniqüidade por dentro (Mateus 23.27), exortando-os a limparem primeiro o seu interior, a olharem para dentro de si mesmos diante de um Deus que não vê como vê o homem.
Essas palavras Jesus declaram legalizam setenta anos depois a destruição do templo em Jerusalém (Mateus 23.37-39), para levantar uma nova casa espiritual onde se presta sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por meio de Cristo Jesus (1 Pedro 2.5), dentro de uma nova mentalidade ministerial. Busquemos entender o caminho proposto por Cristo através da mansidão e da humildade, pois o jugo proposto, representado no serviço e ministério, é útil, cheio de virtude e bondade, eficaz para transformar as nossas vidas e nossas cidades.Jesus chama-nos para o ministério do Espírito, que é ativado a partir da nossa identificação com Cristo, quando assumimos nossa morte pacificamente e em humildade, sem peso de ordenanças de homens, corremos uma carreira que nos é proposta (Hebreus 12.1-2).
O querer e o Realizar
Em Filipenses 2.13-16 Paulo diz: “... porque Deus é que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade. Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas, para que sejais irrepreensíveis no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo, retendo a palavra da vida, para que, no dia de Cristo, possa gloriar-me de não ter corrido nem trabalhado em vão.“ Está falando que Deus deve “operar” em nós tanto o “querer” como o “realizar”, segundo a sua “boa vontade”, então, não murmuraremos e nos gloriaremos no dia de Cristo de não ter corrido em “vão”.
Tudo que tem vida e propósito está em Deus, que não é apenas quem realiza através de nós, mas é também quem gera o querer realizar segundo sua boa vontade revelada a nós. Isso quer dizer que antes do realizar precisamos permitir que Ele venha gerar o querer. A palavra para “operar” é “energeo”, que originou o termo energia, significando que Deus deve ser o gerador da forma que nos move naquilo que realizamos.A quebra desse princípio tornará o ministério pesado demais e inevitavelmente acabaremos caindo em murmurações tornando-nos digno de repreensão e reprovação.
Em Atos 21.11-13, após uma palavra profética, todos suplicavam para que Paulo não fosse a Jerusalém, porém, ele diz estar preparado não só para ser preso, mas para ser morto, porque Deus mesmo havia “energeo”, gerado o querer dentro dele e isso não lhe era pesado, talvez as pessoas a sua volta não entendessem a sua disposição e a leveza com a qual superava todas as situações do seu ministério, mas assim Paulo avançava.
Mesmo passando por grande sofrimento ele declara: “Trazemos porém, este tesouro em vasos de barro, para que esse incomparável poder seja de Deus e não de nós. Somos atribulados por todos os lados, mas não esmagados, postos em extrema dificuldade, mas não vencidos pelos impasses ou situações aparentemente sem solução, perseguidos, mas não abandonados, prostrados em terra, mas não aniquilados.
Incessantemente e por toda a parte trazemos em nosso corpo a agonia de Jesus, a fim de que a vida de Jesus seja também manifestada em nosso corpo. Com efeito, nós embora vivamos, somos sempre entregues a morte por causa de Jesus, a fim de que também a vida de Jesus seja manifestada em nossa carne mortal. Assim a morte trabalha em nós, a vida, porém, em vós. Por isto não nos deixamos abater. Pelo Contrário, em borá em nós, o homem exterior vá caminhando para sua ruína, o homem interior se renova dia a dia. Pois nossas tribulações momentâneas são leves em relação ao peso eterno de glória que elas nos preparam até o excesso (Acima de toda comparação). Não olhamos para as coisas que se vêem, mas para as coisas que não se vêem, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno.” (1 Coríntios 4.17-18).
Reconhecemos que Paulo se tornou um homem manso e humilde, passando por todo tipo de situação, a fim de que s a vida do Senhor se manifestasse nele. Sabemos também que humanamente falando, os sofrimentos de Paulo não foram leves, para isso, basta você pesquisar um pouco, porém o que temos certeza é que quando Deus gera o querer, todo o seu realizar se torna leve.
Por isso, queremos concluir dizendo que aquilo que é feito segundo a boa vontade de Deus é leve e produz para nós “eterno peso de glória, acima de toda comparação”. E seguindo um pensamento lógico de proporção podemos afirmar que: Se aquilo que é feito com leveza produz peso de glória, o que é feito com peso produz leveza de glória. Quando o mistério se torna pesado, a probabilidade de estarmos em prática de obras mortas e experimentarmos a frustração de ter corrido em vão, se torna muito grande.
Tudo que tentamos fazer por nós mesmos se torna pesado demais para se concretizar e somente aqueles que se rendem integralmente a boa vontade de Deus, se alegrarão de não ter corrido em vão, de não terem vivido uma vida religiosa estéril, desprovida de vida, riqueza espiritual e propósito. Portanto, busquemos em Deus reconhecer a natureza da missão que temos carregado, para que então possamos aderir sua proposta de serviço ministerial que exigirá de nós comprometimento total, porém, nos dará vida no Espírito e leveza para corrermos com velocidade, leveza e autoridade em Cristo.
Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Colossenses 3:12
Fraternalmente em Cristo
Anderson Bomfim
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